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A arte de elaborar documentos psicológicos

A arte de elaborar documentos psicológicos

Elaborar um documento psicológico é ter a capacidade técnica de materializar conteúdos de fenômenos psicológicos apresentando-os de forma escrita em um documento, de maneira que o leitor entenda as complexidades e subjetividades advindas do comportamento do indivíduo avaliado.

As principais normas e diretrizes que embasam a elaboração de documentos psicológicos são as Resoluções CFP: 010/2005 – Código de Ética Profissional do Psicólogo – CEPP; 01/2009 – Registros Documentais; 09/2018 – Avaliação Psicológica; 06/2019 – Elaboração de Documentos psicológicos. Além destas, cada área de atuação tem suas normas específicas assim como as resoluções para área do trânsito, jurídica etc. que precisam ser conhecidas e obrigatoriamente seguidas quando se elabora um documento.

Os desafios desse trabalho estão em várias frentes, primeiro precisa se entender profundamente o conceito de uma avaliação psicológica que é um processo amplode investigação com várias fases vinda de uma demanda específica.Esta possui uma estrutura cientificamente construída que se utiliza de métodos, técnicas e instrumentos desenvolvidos exclusivamente para o uso dos profissionais da psicologia.Os psicólogos as utilizam para adentrarem no fenômeno psicológico, coletar informações psicológicas e de posse desses dados é realizado uma análise que obrigatoriamente deve ter bases teóricas científicas, para assim chegar a uma conclusão.

É imprescindível o estudo e o domínio de cada instrumento que será utilizado na coleta dos dados, tais como: entrevista psicológica, escuta psicológica, observação psicológica, o uso de dinâmicas, hora lúdica, intervenções verbais, testes psicológicos etc. Segundo a resolução CFP 09/2018 até pode ser utilizado instrumentos complementares nas avaliações, ou seja, pode se utilizar de técnicas ou mesmos testes validados cientificamente por outras ciências que não a psicologia, estes podem contribuir no entendimento do que está sendo analisado, mas precisam ter seu uso informado na parte dos Procedimentos do documento.

Um ponto que não pode ser ignorado é que todo esse trabalho ainda deve respeitar as Leis Federais do Brasil como por exemplo, ao avaliar uma criança o Estatuto da Criança e Adolescente – ECA deve ser de conhecimento desse avaliador, para que em nenhum momento seja sugerido ou feito algo que entre em desacordo com o mesmo, assimcomo com outras leis a exemplo o Estatuto do Idoso, Lei Maria da Penha etc. que amparam os direitos dessas pessoas.

Um documento psicológico jamais poderá ser usado para produzir meios de punição, discriminação, crueldade etc. (CEPP 2005), não se pode tratar pessoas avaliadas, sejam elas quem forem, sem o devido respeito, cuidado e acolhimento. Toda atuação da psicologia está embasada nos Direitos Humanos e um avaliador precisa agir de modo a garantir esses direitos.

Um documento psicológico não pode extrapolar e apresentar afirmação que não são de competência da ciência psicologia, como por exemplo determinar se um ato de abuso sexual ocorreu ou não, avaliação psicológica não prova a ocorrência de um ato nem afirma sua prática no futuro.

Outro fator imprescindível é que, caso se use testes psicológicos, ao apresentar os resultados, estes devem ser acessíveis ao entendimento do leitor, não há problema inserir gráficos, scores, números, porcentagens etc., porém tudo o que for mostrado precisa ser entendível ao leitor. Há um erro muito comum de informarem resultados de modo que apenas um outro psicólogo possa entender e que as vezes só um outro psicólogo especialista daquela área, que conhece a fundo aquele teste, consiga compreendê-lo.

A pessoa ou instituição que demandou o documento precisa ter a garantia de que o profissional entregará um documento acessível a seu entendimento. Lembre-se que o documento foi escrito devido a demanda de uma pessoa que em sua grande maioria não é da área da psicologia e está solicitando um profissional que explique, oriente ou fale sobre uma questão que ele não entende e precisa daquelas informações para se guiarem em suas decisões.

A demanda da Avaliação Psicológica tem tido um expressivo crescimento na sociedade, cada vez mais entende-se como a psique humana influencia comportamentos e decisões das pessoas.

Para isso precisa-se ter um nível especializado de conhecimento sobre essa prática, atuar nesse contexto sem os vários e necessários conhecimentos, pode ser de grande preocupação e consequências, pois pessoas e instituições podem ser direcionadas a tomarem decisões com base em informações erradas e isso gerar mais problemas. E caso você já seja um especialista, buscar supervisão se torna um grande aliado para que tenha certeza de que tudo o que aprendeu em uma especialização, seja cumprido na prática.

Assim como o Código de Ética Profissional do Psicólogo – CEPP afirma:

 b) Assumir responsabilidades profissionais somente por atividades para as quais esteja capacitado pessoal, teórica e tecnicamente;

Prof. Shouzo Abe– CRP09/6488 – Especialista em, Avaliação Psicológica, Psicologia Jurídica e Docência Superior; Professor em Pós-Graduação; Atua com Psicologia Clínica; Psicologia Jurídica; Perícia Psicológica; Assistência Técnica em Psicologia; Consultoria em Processos Éticos; foi Conselheiro no Conselho Regional de Psicologia Goiás – CRP09 por dois mandatos (2013 a 2019); Trabalhou por seis anos no sistema prisional de Aparecida de Goiânia na Central de Avaliação e Perícia (2009 a 2014).