Compreendendo o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade

Compreendendo o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) trata-se de um distúrbio do neurodesenvolvimento com alto índice de prevalência na infância. Alguns autores também se referem a ele por transtorno neurobiológico ou síndrome psiquiátrica. Sua etiologia é multifatorial e envolve fatores genéticos e ambientais. Os critérios diagnósticos são claros e estão bem definidos no DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – 5a edição) com o código 314.0 / 314.01. No CID-10 (Código Internacional de Doenças),  recebe o nome de Transtorno Hipercinético – F90.0 / F90.1. Os sintomas surgem na infância, podendo acompanhar o individuo por toda sua vida, um problema que afeta o desempenho acadêmico e muitas vezes é ignorado ou nem sequer sabem que são portadores da doença. Ele é caracterizado pela desatenção, inquietude e impulsividade. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), este transtorno afeta cerca de 3% a 5% da população mundial. Desta forma, há legislação que determina toda uma diretriz para desenvolver a inclusão, e tratamento escolar/acadêmico diferenciado aos portadores do TDAH.

Na prática, ao analisarmos um ambiente escolar, vez ou outra nos deparamos com alunos inquietos, desatentos e que constantemente atrapalham os outros alunos, em virtude da hiperatividade e impulsividade. Muitas das vezes, são conhecidos popularmente como sendo os “bagunceiros”, e como “os difíceis de lidar”. É essencial que os professores, trabalhem juntamente com os profissionais da Psicologia, e assim agem de forma a traçar os objetivos que visam promover a melhor intervenção no desenvolvimento acadêmico e social dessas crianças e adolescentes.

Porém, primeiramente, é necessário que seja feito uma avaliação médica e psicológica, com vistas a entender toda a sintomatologia presente, e assim alocar os recursos disponíveis ao tratamento, como por exemplo as medicações e terapias específicas. Caso seja utilizado os medicamentos, o efeito de tais substâncias tem como foco agir na remissão dos sintomas de origem fisiológica, neste caso a ação é nos neurotransmissores. O tratamento do TDAH por meio da Terapia Cognitivo-Comportamental, segundo Doyle (2006), envolve quatro etapas – psicoeducação, avaliação das comorbidades, a psicoterapia em si e intervenções no ambiente. Durante a psicoeducação o paciente recebe informações sobre o TDAH. A psicoeducação, além de permitir que os pacientes reconheçam seus sintomas, permite também interpretar os danos que estes causam e obter novas estratégias para o manejo destes (Barkley, 2002b; Doyle, 2006; Knapp, Rohde, Lyszkowski&Johannpeter, 2002; Rohde&Halpern, 2004). Na psicoterapia será muito importante identificar as crenças centrais do paciente, pois muitas podem estar relacionadas ao desconhecimento sobre a doença, como se considerarem incapazes ou inúteis. Os pacientes precisam aprender a contestar suas crenças e adotar uma nova visão de si mesmos (Doyle, 2006; Rostain& Ramsay, 2006).Finalmente, quanto às intervenções ambientais, no início do tratamento devem-se fazer recomendações ao paciente de forma que o ajude a encontrar um equilíbrio entre estrutura e liberdade (Doyle, 2006). Pode-se definir estrutura como um conjunto de controles externos que tem como objetivo reduzir os prejuízos. Desta forma é indicado o uso de: lista de lembretes, anotações, quadros de avisos, cronogramas, despertadores, lugares silenciosos para estudar e trabalhar, e, ainda, realizar intervalos com frequência (Hallowell&Ratey, 1999; Rohde& Mattos, 2003).

Conclui-se então que é fundamental que tais profissionais  procurem a capacitação por meio de cursos de especialização, e com isto possam empreender a melhor terapêutica a ser utilizada. Desta forma, contribui para garantir uma melhor qualidade de vida para as crianças, adolescentes e seus familiares.